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Les Guignols De L'Info...Le Jeu !
Em 1995, os jogadores de Windows em França receberam uma peculiar dose de sátira pop com Les Guignols De L'Info...Le Jeu!. O título é um derivado do famoso programa televisivo satírico Les Guignols de l'info, onde marionetas caricaturam políticos e personalidades mediáticas com uma mordacidade travessa. Em vez de simplesmente apresentar o programa como uma novidade, o jogo tenta traduzir esta energia caótica da televisão para um formato interativo, transformando os acontecimentos atuais em algo que podes picar, provocar e pontuar à tua maneira.
Visualmente, a experiência apoia-se na inconfundível estética de marionetas e no absurdo de recorte e colagem que tornou a transmissão memorável. O design das personagens parece derivado de sketches de comédia em vez de animação refinada, pelo que o ecrã carrega essa personalidade intencionalmente irregular, como um poster. Os menus e elementos da interface seguem as convenções práticas do software Windows de meados da década de 90: navegação com o rato em primeiro lugar, painéis simples e um ritmo ágil que prioriza a acessibilidade. O som é também um ingrediente fundamental, com dicas de áudio e trechos vocais que funcionam como piadas, reforçando a sensação de que se está a participar no mesmo tipo de sátira jornalística que o programa apresenta todas as noites.
Quanto à jogabilidade, o jogo funciona menos como uma aventura narrativa tradicional e mais como uma sequência de desafios humorísticos. Os jogadores têm frequentemente de responder rapidamente, escolher opções ou completar tarefas curtas que ecoam a estrutura cómica do programa: criar uma situação, aumentar o absurdo e depois terminar com um piscar de olho irónico. O humor é atual, pelo que os resultados e o feedback tendem a enfatizar o timing, a ironia e o espetáculo das reações, em vez de uma simulação profunda. Este design mantém as sessões leves, tornando-o adequado para partidas rápidas, como mudar de canal para ver outro segmento.
Tecnicamente, Les Guignols De L'Info...Le Jeu! pertence a uma era de transição dos jogos para PC, quando os programadores equilibravam as convenções tradicionais de interface gráfico com uma apresentação multimédia mais rica. As expectativas de desempenho eram modestas em comparação com as gerações posteriores, mas o título parece ainda pertencer à revolução do Windows — onde os jogos assumiam cada vez mais um ambiente de desktop multitarefa e um utilizador confortável a navegar por ecrãs sobrepostos. Esta textura específica da época faz parte do seu charme hoje em dia, mesmo que o hardware moderno exija por vezes paciência para que o software funcione sem problemas.
A sua reputação tornou-se a de uma curiosidade regional e de um artefacto de culto: um jogo que capta um tipo específico da cultura satírica francesa e a preserva de forma interativa. Embora nunca se tenha tornado um pilar mundial do meio, continua a ser um exemplo fascinante de como o humor televisivo podia ser reinventado em mecânicas de jogo, não imitando o drama, mas reproduzindo a sensação de ver a autoridade a ser humilhada. Para os historiadores do catálogo do Windows, é um lembrete de que mesmo momentos passageiros de grande popularidade podem deixar vestígios digitais inesperadamente persistentes.
Les Guignols de l'Info: Le Cauchemar de PPD
Em 1996, para PCs com Windows 3. x, o jogo Les Guignols de l'Info: Le Cauchemar de PPD surgiu como uma curiosidade perturbadora. Baseado no universo da série de televisão de culto, este título combina sátira mordaz e aventura com puzzles para oferecer uma viagem pelo panorama mediático, onde cada personagem caricatural usa uma máscara política. O jogador acompanha um protagonista que deambula pelos bastidores de um mundo da informação saturado de propaganda e ruído mediático, tudo apresentado com um humor negro cáustico.
A jogabilidade está estruturada em torno da tradição de apontar e clicar, com uma interface limpa típica da época. Os jogadores recolhem pistas, combinam objetos e desencadeiam diálogos que revelam segredos e mal-entendidos. O humor surge de diálogos acutilantes, paródias dos estúdios da série e reviravoltas narrativas inesperadas. Os puzzles dão vida ao enredo sem nunca depender de mecânicas complicadas, e o jogador progride guiado por pistas textuais em vez de gráficos hiper-realistas.
Visualmente, o jogo apresenta sprites simples e uma paleta de cores vibrantes, típica das produções para Windows 3.x. Os cenários evocam estúdios de televisão, ruas noturnas e ecrãs intermitentes, enquanto as cenas de corte se baseiam em animações estilizadas. A banda sonora consiste em loops MIDI simples que acompanham as piadas e os sinais de alarme. No geral, a estética é intencionalmente caricatural, destacando os bonecos e as suas expressões traquinas, o que reforça o espírito satírico inerente ao universo.
O contexto de desenvolvimento merece especial atenção. O jogo foi criado numa altura em que Les Guignols já perpassava a cultura popular e os jogos de aventura interativos procuravam ligações com a televisão. A receção inicial foi modesta, mas o jogo rapidamente ganhou o estatuto de culto, sendo apreciado por colecionadores e fãs de sátira política. A sua concisão, mecânicas e visão lúcida dos media fazem dele uma raridade, ainda mais valorizada pela sua disponibilidade limitada e aura nostálgica.
Nightmare, da PPD, ilustra uma era em que o humor digital e as notícias convergiam num ecrã antigo e empoeirado. É um exemplo marcante de colaboração entre o mundo dos videojogos e o mercado dos computadores, provando que um conceito arrojado podia florescer nos computadores domésticos da época. Para os entusiastas, este jogo continua a ser um precioso testemunho da cena francesa dos videojogos dos anos 90, um fragmento de memória que nos recorda que a sátira podia ser incorporada numa interface encantadoramente rústica.