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Alien Anarchy
Alien Anarchy, um lançamento para DOS dos últimos anos do milénio, ainda carrega a força de um projeto de garagem que, de alguma forma, encontrou uma vida útil feliz. A arte da capa sugere uma sala de reator suja, corredores vítreos e um enxame de formas que recordam os visitantes de outra época. Num PC bege, o jogo pede-lhe que equilibre a coragem e a intuição rudimentar, guiando um sobrevivente solitário por corredores complexos infestados de alienígenas, enquanto sons e cores sussurram sobre um mundo para lá do ecrã.
O jogo desenrola-se numa série de setores estreitos e interligados, onde o movimento parece deliberado em vez de frenético. Compõe ordens com uma mistura de teclas do teclado e toques do rato, guiando a sua unidade através de labirintos enquanto esquadrões de adversários xenianos se comportam mal com uma persistência implacável. A procura de recursos, munições limitadas e perigos ambientais obrigam a escolhas que se repetem a cada partida. Algumas salas exigem furtividade, outras levam-no a conflitos que trocam velocidade por precisão. O ritmo oscila, transformando incursões rotineiras em impasses desconfortáveis. O desafio adapta-se à sua determinação, sem nunca realçar a armadilha da memorização.
Os visuais inclinam-se para sprites robustos e para a atmosfera oscilante dos CRTs, paletas de cores limitadas pelo hardware da época, mas ricas em atmosfera. Os mosaicos pintam laboratórios claustrofóbicos, chaminés de ventilação e plataformas de observação com um brilho noir de detetive. A paisagem sonora dança entre estalidos metálicos, estranhos chiados e uma banda sonora de sintetizador que não esquecerá as suas sessões noturnas. A interface mantém o inventário, o mapa e o registo de missões escondidos nos cantos, convidando-o a estudar padrões em vez de correr cegamente para o perigo.
Desde a sua estreia discreta, Alien Anarchy conquistou uma reputação discreta entre os apanhadores de DOS e colecionadores de cartuchos. Não inundou revistas com antestreias brilhantes, mas a notícia espalhou-se por murais e páginas de fanzines que valorizavam mais a dificuldade e a atmosfera do que sprites vistosos. Os entusiastas preservaram o código, procuraram patches criados por fãs e partilharam sessões de jogo em pequenas comunidades. O jogo sobrevive agora como uma cápsula do tempo: um lembrete de que a arte para PC dos últimos anos podia parecer tátil, experimental e teimosamente independente.
Hoje, os jogadores retro curiosos procuram-no pela curiosidade em torno do seu design, não pelo polimento para o mercado de massas. Jogar Alien Anarchy convida a um sopro de arcade empoeirado, uma sensação de que restrições inteligentes podem gerar uma tensão surpreendente. Recompensa a exploração paciente, o planeamento cuidadoso e a resolução excêntrica de problemas. Para os amadores, o título oferece uma breve lição de história sobre como os programadores costuraram a atmosfera, os loops de jogabilidade e os limites do hardware num único pacote sombrio que ainda parece vivo na memória.